07/06/10

1º Casamento Gay foi no Feminino

Primeiro casamento gay em Portugal foi hoje




Helena Paixão e Teresa Pires: primeiro casal gay a casar-se, em Portugal
O primeiro casamento civil oficial entre gays foi realizado nesta segunda-feira em Lisboa. Duas mulheres que viviam juntas desde 2003, oficializaram a união numa cerimônia de 15 minutos, realizada num cartório da capital, entre muitos fotografos e as imagens da cerimónia darão volta a parte do mundo.

CRIME ATÉ 1982

Até 1982, o homossexualismo era considerado crime no Código Penal português.


o sexto país da Europa


Portugal passa a ser o sexto país da Europa a legalizar o casamento gay.

Helena Paixão, tem 40 anos, e Teresa Pires, 33.
Ambas divorciadas e mães, cada uma, de uma filha, viviam juntas há oito anos. Em 2006 haviam apresentado um pedido de oficialização de seu caso, num país de forte tradição católica.
A permissão de casamento havia sido rejeitada pelo registro civil mas, ao final de um longo périplo judicial, foi validada pela Corte Constitucional.
Em consequência, o poder legislativo aprovou, em Fevereiro, uma lei que suprime da definição de matrimônio, do código civil, a menção "sexos diferentes", autorizando de fato as uniões homossexuais.


HomosseXuais no Estado Novo ???...

Jorge Castro

- a propósito da temática do livro "HomosseXuais no Estado Novo", da autoria da jornalista São José Almeida -


Ora aí está um tema sexossocial estimulante. O que terá passado um homossexual no Estado Novo que um homossexual no estado em que estamos não passe ainda?

Confesso que ainda não li o livro mas que pretendo fazê-lo, quando tiver oportunidade, que mais não seja por curiosidade e ilustração. Mas não é do livro que falarei agora, pelo que peço, desde já, desculpas à autora pela fonte de inspiração.

Primeira observação assustadora: Então que me dizem do casamento de homossexuais? Também aqui me perturba algum desnorte, a saber:

- No Estado Novo, qualquer elemento dito progressista que se prezasse - notem que já nem digo antifascista... fiquemo-nos, então, pelo meramente progressista - considerava o casamento (pelo civil, entenda-se) como uma instituição a combater e, porventura, a abater, pelo que continha de retrógrado, reaccionário e castrador de uma sã relação entre dois seres viventes e pensantes.

Já quanto à opção do casamento pela igreja nada a dizer. Trata-se de uma opção pessoal, que assentará em princípios de livre arbítrio e que compete a cada um gerir, ainda que o casamento seja uma unidade de dois – e este aspecto não é despiciendo, bem como a pressão social que lhe estava subjacente. Mas isso são outros quinhentos…

Porque, à data, a coisa funcionava assim: um jovem casal que juntasse os trapinhos daria à luz, necessariamente, um filho bastardo se não fosse, a correr, tratar do casório, com o receio das consequências que desse estatuto advinham principalmente para o cidadão recém-nascido e, caso o casal o fizesse apenas pelo civil, ainda assim haveria muitas mentes puritanas que achavam mal, insuficiente e, supostamente, imoral.

Não deixa de ser curioso que aos próprios filhos fosse recusado o baptismo se os pais não fossem casados pela igreja. Aqui, nem o casamento civil era bastante! E a misericórdia relativamente aos «anjinhos» só existia da boca para fora, como é bom de ver. Aliás, esta prática era extensiva aos casais que se divorciassem – os filhos pagariam, assim, à luz da Santa Madre Igreja, pelos «pecados» dos pais ou pelo mero facto de estes, à luz de princípios fundamentalistas, viverem «em pecado».

Pensar que uma excomunhão – lançada sobre especiais prevaricadores, fornicadores e outras abencerragens sociais – podia ser extensiva a três, quatro ou cinco gerações é um bom exemplo da pouca distância que medeia entre a Igreja Católica do século passado e a Igreja Católica da Inquisição.

Retomando a temática do casamento: agora, trinta e seis anos volvidos, e querem convencer-me de que o casamento pelo civil para homossexuais é uma «conquista civilizacional»... Estamos a andar, de facto, muito para trás quando nos deixamos enredar pelas produções nefastas destas mentes apologéticas mas distorcidas, arvoradas em gurus sociais.

Se me quiserem convencer de que qualquer ser vivente tem os mesmos direitos que o seu semelhante (até para contrair um empréstimo bancário) e que essa é uma luta por uma causa que se justifica, aí eu alinho, já e agora e aqui e nem me ocorre qualquer condição prévia.

Se me quiserem recrutar para defender pesadas penas sobre quem recorra a práticas sociais discricionárias – ao nível de emprego, de acessos sociais, etc. - sobre indivíduos de qualquer opção de religião ou sexual diferente da minha, contem com a minha participação activa.

Mas igualdade na contracção de matrimónio? Para quê, senhores, tanto ansiar pela igualdade numa instituição caduca, sem préstimo e, quiçá, em vias de extinção? Má aposta!

É a igualdade do engano que nos engana... a todos! E é com profundo constrangimento que escuto descabeladas baboseiras proferidas por uns quantos arautos dos quais era suposto esperar outro discernimento.

No fundo, concluiu-se mais uma jogada de faz-de-conta deste tempo do centrão em que nos atolámos: muito espalhafato em torno de uma situação menor – que devia decorrer, lógica e serenamente, de outros preceitos sociais vigentes – que esconde, perturba e deixa todas as questões de fundo sobre esta matéria – a discriminação homofóbica - exactamente na mesma.

Além disso, em boa verdade e já que se fala nisto, não me lembro de ter lido na Declaração Universal dos Direitos do Homem o direito ao casamento pelo civil... para quem quer que seja. Vocês leram...?

06/06/10

A vaca, o galo e Salazar









Por: João Duque, Professor Catedrático do ISEG


Contava-se que a mãe de António Oliveira Salazar, em profundos cuidados com a saúde de seu amado filho, teria prometido uma vaca à Senhora padroeira da terra caso o jovem António vencesse uma grave doença que o teria atacado.

Curado, mandou-o a mãe à Vila para vender a vaca com intuito de pagar a promessa à santa padroeira. Aproveitando a tarefa, pediu-lhe que vendesse um galo o qual, pela capoeira, criava mais desacatos que ovos galados. Pediu-lhe a mãe 100 escudos pela vaca para enfiar na caixa das esmolas da Santinha, e 1 escudo pelo galo para cómodos da família.

Na feira, António virou o negócio do avesso. A um fazendeiro abastado pediu o jovem António 1 escudo pela vaca. "- Ó garoto, tu sabes o que estás a pedir?" "Sei sim, meu senhor, 1 escudo pela vaca!" "- Então compro-te a vaca!" "-Sim senhor. Mas se levar a vaca tem de me comprar o galo..." "- E quanto queres tu pelo galo, ó petiz?" "- 100 escudos!" "- 100 escudos? Tu estás a mangar comigo? Mas assim como assim, como no cômpito geral o preço é justo, fico-te com ambos. Mas digo-te que nunca tinha feito um negócio tão estranho."

Alguns banqueiros parecem estar incomodados com a nova legislação que impõe a consolidação das operações de ‘cross selling' às operações de crédito imobiliário, quando os benefícios numas operações dependem da aceitação de outras operações firmadas com a mesma instituição e quando, até as garantias reais se estendem aos outros créditos concedidos. Baixam o ‘spread' do empréstimo se...

No entanto, quando um banco realiza um negócio que tem requisitos da mesma natureza faz os cálculos como agora se pretende obrigar a fazer e a publicitar.
Sou o primeiro a reconhecer e a testemunhar como o sistema bancário é dos bons exemplos na economia portuguesa: foram inovadores, são eficientes, são pólos de desenvolvimento de tecnologia e conhecimento, são empregadores de muita mão-de-obra e ainda são lucrativos! (Neste aspecto há quem ache mal, mas eu não!).

No entanto, como qualquer agente informado sabe, a análise de qualquer negócio deve fazer-se envolvendo todos os ‘cash-flows' marginais associados, e os que resultam de obrigações de ‘cross selling' de outros produtos, devem sempre ser considerados.

Logo, a exigência agora emergente da nova legislação é pertinente, porque vai obrigar a adequar o custo da operação à operação em si, tornando mais difíceis malabarismos que dificultam a comparação do ‘pricing'.

Todos estamos conscientes que as margens terão de se manter, mas para quê fazê-lo de modo pouco claro e à custa da assimetria de informação entre os agentes?

Ao saber o preço da vaca, a mãe de Salazar, desesperada, lança as mãos à cabeça e grita "- O que foste tu fazer António? Vender a vaca por um escudo?" "- Sim, minha mãe. Mas vendi-lhe o galo por 100! Agora dê à Santa o preço da vaca..."

04/06/10

PAREDES NÃO SAI DA CÂMARA



É falso que Pedro Paredes pretenda sair da presidência da Câmara.





Correu insistentemente, em Alcácer, nos últimos dias, que Pedro Paredes ia deixar a Câmara.

O SÁDÃO está em condições de informar que tal não passa de boato.
A este propósito P. Paredes afirmou-nos categoricamente:
"nem tal me passou pela cabeça"

03/06/10

TODOS OS SOCIALISTAS NA CAMPANHA DE ALEGRE

Manuel Alegre é o candidato do PS à Presidência da República.

AGORA QUE FOI OFICIALMENTE ESCOLHIDO PELO PARTIDO, TODOS OS SOCIALISTAS SE DEVEM EMPENHAR NA CAMPANHA DE ALEGRE


O CLUBE DE POLITICA DE ALCÁCER DO SAL, acaba de tomar a posição de apoiar activamente a candidatura de Alegre à Presidência da República.


Comissão Nacional do PS aprova apoio a Manuel Alegre

Comissão Nacional aprovou por larga maioria apoio à candidatura presidencial de Manuel Alegre, sob proposta do Secretário-Geral, José Sócrates. Francisco Assis comunicou a decisão aos jornalistas, frisando tratar-se de uma candidatura independente, perante a qual o PS tomou “uma posição clara, consciente e por ampla maioria”. No final da reunião, José Sócrates considerou que "a candidatura de Manuel Alegre honra o país"


Entrevista de Manuel Alegre


Manuel Alegre foi ontem entrevistado por Judite de Sousa, na TV. Eis uma passagem da entrevista, na qual Alegre expõe as suas propostas para solucionar os problemas do país:

JS — Mas é ou não verdade, Manuel Alegre, que o Governo herdou dos governos anteriores do PSD um claro desequilíbrio das contas públicas e…
MA — É verdade.
JS — … e que, sem finanças públicas saudáveis, não se consegue fazer nada…
MA — Claro… Eu acho que sim e acho que um governo de esquerda tem obrigação de fazer isso. Agora, como equilibrar as finanças públicas? Como fazer o equilíbrio orçamental sem criar um grande desequilíbrio social?
JS — Quais são as suas soluções?
MA — As minhas soluções é que… mas as minhas soluções têm de ser pensadas num quadro europeu e num quadro… num quadro nacional. Nós estamos num quadro macro económico de grandes restrições fiscais e… monetárias e estamos num quadro de radicalismo de mercado em que os serviços públicos têm que competir com os privados segundo uma lógica meramente economicista. É preciso inverter tudo isto. É preciso orientações macroeconómicas que obriguem os Estados a ter como objectivo político essencial o emprego, o bem-estar, a justiça social e alterar…
JS — Mas esse não é um problema que nos transcende, não é um problema que, neste momento, está a ser comum a todos os países europeus por causa da grave crise internacional?
MA — Mas nós estamos na Europa. Nós temos uma posição passiva, temos de ter uma posição crítica.



Eurico de Figueiredo diz que Alegre dá garantias contra as derivas extremistas


O ex-dirigente socialista e membro do nosso Clube de Política, Eurico Figueiredo, manifestou hoje o seu apoio à candidatura presidencial de Manuel Alegre, dizendo que dá garantias de defender o Estado de Providência e de evitar derivas “esquerdistas” ou “direitistas” na vida política. Eurico Figueiredo, médico, membro das direcções políticas de Jorge Sampaio e de António Guterres no PS, afirma que o percurso político de Manuel Alegre “merece total respeito” aos portugueses.

Plano Operacional de Turismo do Alentejo dia 7

A apresentação pública do Plano Operacional de Turismo do Alentejo, realiza-se no dia 7 de Junho, pelas 14h30m, no Évora Hotel.

A apresentação contará com a presença de Sua Excelência o Secretário de Estado do Turismo, Dr Bernardo Trindade.

Caso esteja interessado(a) em participar deve fazer a sua confirmação até 2 de Junho, para os telefones 284313540 / 245 302021 ou para o email: carla.mocito@turismodoalentejo-ert.pt

31/05/10

Apelo a José Sócrates e Manuel Alegre

Por Elisa Damião

Este artigo foi publicado em 2008-12-30


Todos teremos um papel que terá de ser coeso e solidário, para restaurar a confiança perdida neste mercado afundado em corrupção com a cumplicidade ultra liberal.

Com a legitimidade moral de uma militante há 30 anos que quem deu tudo ao serviço do PS, no exercício de funções públicas ou cívicas, a todos o níveis, que iniciou actividade política depois de ter sido eleita pelos companheiros de trabalho, na Lisnave. sempre que puderam votar, contra a hegemonia do PCP, correu riscos antes e depois do PREC, e acabou a sua vida pública durante uma reunião de trabalho acometida de grave hemorragia cerebral que a deixou com grande incapacidade motora.

Se agora falo do meu estado de saúde, que vivi com discrição, em família, é para avaliarem a minha indignação para o que parece ser a eminente fractura do Partido Socialista que pode dar de bandeja o poder à direita, por muito tempo.

Tenho ainda a legitimidade, ditada pela prudência fundada no conhecimento das personalidades destes dois excelentes interpretes parciais, do pensamento de muitos militantes socialistas, em que não votei, exactamente por serem o que são líderes de facção.

De Sócrates nunca esperei um líder Socialista não tem formação política sólida, desconhece a História das Ideias Políticas, não deve ter lido os ideólogos da formação do Partido Socialista em finais do Séc. XIX, XX, jamais citaria Antero, ou sequer os mais recentes António Sérgio e Henrique de Barros.

Da geração de Mário Soares, dos Socialistas construtores da Europa com ambição solidária, toda essa elite extraordinária que nos legou o combate por uma Europa assente no paradigma das Liberdades no plural, como resumia Mitterand, que na juventude trabalhou com Jean Monnet, que inclui: a Paz; Democracia; Direitos Fundamentais e Sociais, Igualdade sob o primado da Solidariedade entre países regiões e cidadãos.

Sócrates, tomou as bases essenciais, deste legado, num tempo muito difícil de garantir igual dedicação a todas as frentes desta exigente herança.

Hesitou, entre a 3ª via de Blair derrotado pela guerra do Iraque, e a crise económica e social global, causada pela escola de Chicago, os idólatras do mercado sem regras, de que Blair foi fiel servidor.

Sócrates, acabou, felizmente, por se juntar a Zapatero, com a inteligência de unir esforços com outros políticos para melhor servir Portugal.

Surpreendeu-me com a grande capacidade de comunicar, é inteligente, assertivo, no tempo e no modo de falar com os media. Distanciou-se de tal modo de Guterres que parece mais obstinado e arrogante, do que realmente é.

É ideologicamente um Social liberal, o que nunca lhe tirou o sono, antes um socio-liberal convicto que um radical demagogo.

Convenceu-me com a coragem de assumir algumas medidas arrojadas, no domínio da sociedade e família, particularmente no combate às corporações, instaladas desde a idade média, a célebre Casa dos 24, que o Marquês de Pombal extinguiu na lei e Salazar reabilitou, impediram a democraticidade da vida das Instituições fundamentais a que muitos sindicalistas socialistas deram o combate de uma vida contra unicidade.

Porém a cultura corporativa sobreviveu até aos nossos dias cujo combate Sócrates assumiu desde logo, decidido a acabar com os regimes de excepção, inadmissíveis no Estado de Direito.

Todos temos o dever e o direito de ser avaliados, sejamos políticos, juizes, médicos ou professores, podem e devem discutir-se os métodos. A avaliação de desempenho em política é a mais difícil, sujeita a incompreensões ao jogo obscuro de interesses de grupos detentores dos media, aos egoísmos individuais, mas todas as profissões podem ter mecanismos técnicos, com profissionais habilitados, para qualificar o desempenho com grande objectividade, que não deixe dúvidas, e deve ter consequências ou não será séria.

Não é mais possível manter impunes os que não se empenham, não se preparam para corresponder aos desafios do futuro, ocupam o quadro, impedindo a qualidade das Instituições.

Para além do ruído de fundo das manifestações e chantagens, com fins políticos, tentam impedir o governo de mudar este cenário inaceitável, de abandono precoce da escola e deficiente preparação dos alunos, não se verificam propostas construtivas, sendo legitimo concluir que só estão interessados em atingir o governo.

São porém, evidentes as dificuldades dos governantes sem experiência política para dar combate igualmente político às manipulações partidárias.

Dos descontentes, a maioria é motivada apenas pelos naturais receios, não fundamentados, uma vez que a ausência de gestão responsável, permitiu hábitos instalados, cuja inércia causa rejeição à mudança seja ela qual for, desde que aumente as responsabilidades e recompense o mérito.

A ausência de debate nos órgãos do PS, marginalização e desconsideração dos militantes, começou antes de Sócrates, com que Alegre indiferente se acomodou durante anos.

Reagiu quando o preteriram, como candidato presidencial, e ele que é a alma do PS, o romântico combatente da ditadura, o mais amado tribuno muitas vezes ausente, nos combates internos pela pluralidade, parece querer trilhar os nefastos caminhos de Chevenement e Lafontaine que instalaram a direita no poder em França e na Alemanha, depois do fracasso da esquerda caviar, irrealista de Josepin, puseram em causa, de facto, toda a ambição de nova geração de políticas sociais compensadoras das necessárias mudanças do mercado de trabalho, pelas transformações tecnológicas e demográficas, impediram que mais cedo os Socialistas franceses iniciassem o debate da globalização existente que constava no programa dos líderes eleitos.

Alegre, não propõe um posicionamento da almejada esquerda face ao problema essencial, o maior e mais fascinante desafio da esquerda moderna que proporciona o regresso da política, dos grandes debates decisivos para a regulação da globalização, que acabe com a especulação financeira descontrolada e a exploração das desvantagens da pobreza por asfixia da OIT que deixou de cumprir o papel para que foi criada, sem lugar nas decisões opacas e não democráticas da OMC (Organização Mundial do Comércio) totalmente controlada pelos países ricos, que tornou o mercado global, sem regulação mundial, inseguro e imprevisível, não augurando nada de bom para o futuro próximo.

A esperança na Europa reside numa esquerda capaz de dialogar com as demais famílias políticas Europeistas, que a CIP filiada na UNICE também dará o seu contributo no diálogo social europeu, mais experiente e sólido que o nacional.

Todos teremos um papel que terá de ser coeso e solidário, para restaurar a confiança perdida neste mercado afundado em corrupção com a cumplicidade ultra liberal.

Que esquerda se espera num mundo sem fronteiras, que o derrube de Sócrates e a eleição de Ferreira Leite resolvam os problemas do país, desde que a ala radical tenha mais votos e novos líderes?

Quem quer ser responsável pela destruição da Constituição, sólido pilar do Regime Democrático que só o PS forte, está em condições de preservar.

Devolvo a Alegre o anátema da Dante se tomar a decisão de fracturar e destruir o Partido Socialista, a que dei os melhores anos da minha vida e ao seu serviço quase morri.

Viva ainda, apesar de hemiplégica, darei combate total e exigirei respeito, pelo PS plural, pelo trabalho de milhares de militantes de gerações anteriores e actuais que desejam muito o regresso do debate, mas não pouparão os responsáveis pela sua destruição numa fogueira de vaidades de egos desmesurados.

Fraternas saudações, a todos os Socialistas tão preocupados quanto eu, na convicção de que quem ama o nosso enorme património, está sempre disponível para agregar e não para dividir.

21/05/10

Europa Gorda

Por: Miguel Freitas
Deputado do PS


Na decisão política, o modelo europeu é muito lento e demasiado burocrático


A Europa está gorda. Obesa. A precisar de tratamento. Descobriu agora? Não, há muito que se via. Mas apesar de se ver, pouco fez por melhorar. Tinha crises, mas passava. Tentou mudar. Poucas, muito poucas vezes de forma determinada. Agora, só tem um caminho: fazer exercício e uma dieta rigorosa. Senão, um dia estará a pão e água.

Dizem que tem a ver com o “processo histórico”, com o modelo europeu, com o envelhecimento das suas gentes, com a falta de liderança. Um pouco com tudo isso. Certamente.

É uma Europa que se endividou para manter níveis de vida que já não pode ter. Uma Europa, ou pior do que isso, vários centro de custos, sem uma estratégia comum, com cada vez menos crédito no mercado financeiro. Uma Europa com uma moeda Única, mas sem uma governação económica. Criou um fundo de estabilização in extremis, que veremos ao que chega. Algum exercício se fez. Mas é muito pouco.

A mudança estrutural na economia mundial não lhe é favorável. Níveis de produtividade mais baixos, níveis de crescimento mais baixos. Não por questões de trabalho, mas de eficiência colectiva. Por via da terciarização da economia, com prevalência nos serviços não transaccionáveis. As fábricas do mundo já não são aqui. O tempo de reajustamento é medonho. A globalização torna a concorrência desigual. Perde-se mercado, fecham-se empresas. Cresce o desemprego. Perdem-se direitos sociais.

A estratégia de Lisboa foi sendo adiada. Há uma nova estratégia revista para 2020. Objectivos genéricos, pouco precisos. A questão energética é encarada de forma tímida. Mais por via ambiental que de segurança. As questões de segurança são, aliás, muito comentadas, mas pouco interiorizadas nas políticas.

Na decisão política, o modelo europeu é muito lento e demasiado burocrático. A nova arquitectura trouxe ganhos de participação, mas aumenta o tempo de decisão. Num momento em que a eficiência prevalece, temos de admitir que o tempo tem custos. Além disso, há uma voragem regulamentadora e alguma falta de coragem de assumir decisões difíceis.

O modelo social quer ser justo, promover a educação e a saúde para todos, defender o trabalho, garantir a velhice. É o grande repositório dos valores europeus. Mas tem de se adaptar a novos tempos. Tempos de restrições orçamentais. Tempos de repensar funções do estado. Não apenas na qualidade, mas também na intensidade das respostas públicas.

A Europa não vai acabar. Mas tem de fazer reformas. Tem muitos exercícios a fazer. Para se fortalecer. Não tanto para salvar o mundo, mas para continuar a ter um papel no mundo.
Acácio Pinto
Deputado PS




Ziguezague do PSD

O problema surge quando um partido político com a responsabili­dade do PSD não tem um rumo claro [...] sobre uma questão tão importante como são as obras públicas



Com a ascensão à liderança de Pedro Passos Coelho pensámos que o ziguezague tinha sido banido do seio do PSD. Tinha chegado um novo líder e com ele uma linha de rumo clara, transparente e objectiva.

Pensámos que tinha terminado a diversidade de posições a que fomos sujeitos nos últimos anos. Eram as opiniões dos barões, dos candidatos, da líder e dos ex-líderes.

Afinal, rapidamente, aquilo que foi uma vitória esmagadora de Pedro Passos Coelho e de uma encenação de união com a expectativa de que o rumo agora era claro e uno acabou por se esboroar passado um escasso mês sobre o Congresso.

Falo, obviamente, de obras públicas. Falo do investimento do Estado em obras decisivas para o futuro do país e para a competitividade dos territórios.

E se as posições divergentes são legítimas em política, se os pontos de vista e as estratégias são diferentes, não vem daí nenhum mal ao mundo. O problema surge quando um partido político com a responsabilidade do PSD não tem um rumo claro sobre esta matéria, não tem uma estratégia linear sobre uma questão tão importante como são as obras públicas.

Por um lado, Pedro Passos Coelho escreveu, recentemente, no livro que editou durante a campanha interna a líder que o aeroporto “deve avançar de acordo com o calendário previsto” e o TGV “deve prosseguir na medida em que permita a ligação à rede de alta velocidade espanhola e europeia”, mas, já esta semana, Miguel Relvas, secretário-geral do PSD, afirmou que “o Governo deverá suspender imediatamente todas as grandes obras públicas anunciadas”.

Ora aqui está como as coisas acontecem ao sabor dos ventos e conforme alguns comentadores da praça vão discorrendo sobre esta matéria.

E como se tudo isto não chegasse, são agora as distritais do PSD também a falar. Mas a falar para aplaudirem as obras públicas lançadas pelo Governo. Refiro os casos da distrital do PSD de Leiria que em comunicado se congratulou com a finalização do contrato de concessão do Pinhal Interior, dizendo mesmo que o projecto representa uma oportunidade de recuperação económica para a região.

Mas sobre esta mesma concessão (Pinhal interior), o deputado do PSD Miguel Frasquilho afirmou à TSF que o avanço da construção da auto-estrada Pinhal Interior é “um sinal negativo” por parte do Governo.

Já sobre a auto-estrada Viseu Coimbra e IC12 que o Governo tem em curso é o PSD de Viseu e dos concelhos limítrofes a clamar pela sua realização e mesmo a aprovarem moções e a efectuarem declarações nas assembleias municipais para que as mesmas (e outras) avancem a toda a força, quando na Assembleia da República os deputados do PSD as contrariam.

Depois temos ainda o Presidente da República a dizer que os investimentos públicos devem ser repensados e temos agora uma brigada de economistas zeladores do bem comum que querem também entrar no jogo político pedindo para serem recebidos por Cavaco Silva para se manifestarem contra as obras públicas.

Enfim, cenas políticas de um profundo desrespeito pelos resultados eleitorais e pela legitimação democrática de que o governo está investido.

Em tudo na vida há limites. E também na política devia haver limites para a decência e para o decoro!

Este é um combate que vale a pena travar! A economia e o emprego exigem a nossa disponibilidade para este combate.

A MATILHA

Por Luís Nazaré
Economista

A matilha

A debilidade dos mecanismos de solidariedade financeira no seio da zona euro é real e notória. Sem esses dispositivos, qualquer crise num Estado-membro pode conduzir à ruptura do sistema

Está à vista de todos – o euro está a sofrer um ataque feroz, o mais violento de que há memória desde a sua criação. A coligação de interesses especulativos e antieuropeus vive momentos de indisfarçável felicidade perante as dificuldades do Velho Continente, embora receie o efeito de ricochete sobre o sistema financeiro norte-americano. Só assim se explicam as chamadas telefónicas de Obama para Merkel, apelando ao empenhamento alemão na resolução do problema grego.

Recordemos que a actual crise económico-financeira se desencadeia a partir dos Estados Unidos com a chamada bolha do subprime (excesso de crédito hipotecário concedido pela banca + risco elevado + ganância dos agentes de mercado + desinformação dos consumidores), a que se sucede a falência do banco Lehman Brothers. A partir daí, num efeito-dominó, a crise alastra à banca europeia, pondo a nu as fragilidades do sistema bancário, o descontrolo das contas públicas de alguns países e a ausência de mecanismos europeus de solidariedade financeira para a defesa da sua moeda e dos momentos mais difíceis dos seus estados-membros.

As situações de incumprimento nos Estados Unidos estão longe de ser raras. Muito recentemente, o estado da Califórnia esteve à beira da bancarrota. Há algum tempo atrás, o mesmo tinha acontecido ao estado de Nova Iorque e a outros. A diferença é que nos Estados Unidos as instituições federais estão lá para actuar sempre que é preciso, assegurando a coesão do sistema. Na Europa, falha de mecanismos federais, o mesmo não acontece. E assim o efeito-dominó alastrou.

Primeiro, houve que salvar a pele de alguns bancos – entre os quais os portugueses BPN e BPP –, à custa de centenas de milhares de milhões de euros. Podemos legitimamente perguntar-nos se o esforço valeu a pena, para quem passou anos a fio a enganar os consumidores e os aforradores. Mas é bem possível que as consequências tivessem sido bem mais devastadoras se não o tivéssemos feito. Depois, sobreveio a crise das contas públicas de alguns estados-membros da zona euro.

A Grécia, que passou demasiado tempo a iludir as estatísticas e a fazer de cigarra, transformou-se no detonador por que os especuladores internacionais ansiavam. Os riscos de incumprimento da sua dívida pública abriram as portas da jaula onde as agências de rating e os especuladores mais vorazes se encontravam – exactamente os mesmos que haviam pactuado escandalosamente com as práticas mais obscenas das instituições financeiras que provocaram a crise. “O comportamento de rebanho dos mercados é, na verdade, de matilha – uma matilha de lobos” – afirmou, com notável a-propósito, o ministro das Finanças sueco na cimeira do fim-de-semana passado.

Ainda mais contundente tem sido o prémio Nobel Paul Krugman na sua denúncia das práticas especulativas dos “mercados” e, em especial das agências de rating, que acusa, sem papas na língua, de práticas de corrupção passiva. É bom recordar que as três grandes agências de rating mundiais, aquelas que classificam a seu bel-prazer a qualidade das dívidas empresariais e nacionais, são norte-americanas de berço e enfermam do preconceito antieuropeu comum nos Estados Unidos (e um pouco também no Reino Unido). Para elas, a dívida dos países do sul é duvidosa, a dos anglo-saxões segura. Para elas, o dólar é o refúgio certo, o euro uma ameaça.

Seria incorrecto, porém, assacar todas as culpas da crise do euro às malvadezas dos especuladores. A debilidade dos mecanismos de solidariedade financeira no seio da zona euro é real e notória. Sem esses dispositivos, qualquer crise num estado-membro pode conduzir à ruptura do sistema. Hoje é a Grécia. Amanhã poderá ser a Irlanda, Portugal ou a Espanha. Num futuro não muito longínquo, o Reino Unido ou mesmo a França.

Por isso, o Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia decidiu, no passado fim-de-semana, criar um Fundo de Estabilização Financeira, que contará com uma dotação de 750 mil milhões de euros, numa tentativa de estancar os ataques à moeda europeia. Este fundo permitirá acudir, no limite de 60 mil milhões de euros, aos países em dificuldades, em troca da adopção de políticas financeiras austeras. É uma boa notícia, embora o seu efeito tranquilizante sobre os mercados financeiros não esteja ainda adquirido. Outra boa notícia é a criação de um novo mecanismo, dotado de 440 mil milhões de euros, destinado a socorrer países com dificuldades na balança de pagamentos, através de garantias fornecidas pelos países da zona euro, na proporção das suas participações no Banco Central Europeu.

Mas não tenhamos ilusões: com mais ou menos agências de rating, mais ou menos especuladores, Portugal tem de disciplinar as finanças públicas, reduzindo a sua despesa corrente, aumentar os níveis de poupança das famílias e estimular a competitividade do tecido económico. Uma equação difícil de resolver, mas para a qual os portugueses saberão encontrar a resposta certa.

20/05/10

Da professora toda despida

Da professora toda despida e desta apagada e vil tristeza
que nos veste a todos…





cheias em mirandela


Escrito por Jorge Castro

Mirandela resolveu rivalizar com Bragança. Pelo menos na sanha pseudo moralista com que fez cair o gládio das virtudes balofas em defesa da «honra e integridade da Pátria», desta feita sobre uma professora de música que decidiu posar nua para a revista Playboy.


O director do Agrupamento de Escolas da Torre de Dona Chama, clarinho como a água de tanta ribeira poluída deste País, nos afiançou: "Aparecer numa revista sem roupa não é compatível com a função de professora e de educadora". E daí a anunciar a rescisão do respectivo contrato foi um ápice


E logo sequenciado por pudibunda e pressurosa vereadora que de pronto retirou a senhora da escola e catrafiou-a num arquivo, a bem da moral e dos bons costumes, quiçá ao abrigo dos olhares concupiscentes, protegendo-a a ela da gula dos concidadãos e aos concidadãos do pecado da gula (para além de outros menores, claro). Fica-me, confesso, a inveja dos bichinhos-de-prata, useiros e vezeiros nestas coisas dos livros e papéis velhos e que poderão desfrutar à vontade de quanto ao comum cidadão foi sonegado…


Dir-se-ia que às folhas de pauta ganharam as folhas de arquivo e estou certo de que andarão, por Mirandela, muitas vocações musicais em desespero de causa… e de efeito.


Eu poderia imaginar que alguém criticasse, à professora, o mau gosto de posar em tal publicação – que, ainda para mais, me constou que paga mal aos seus modelos.


Posso, até, imaginar, o insólito e inusual rebuliço que fervilhará na terra, onde toda a gente se conhece, e a onda de criatividade que deverá estar a assolar as mentes jovens e efervescentes.


Posso, ainda, desapreciar – sim, claro que já vi a revista! – o gosto da dimensão dos implantes mamários ostentados - ainda que, aqui, as opiniões seguramente divirjam...


Agora, criticar e – pior! – punir a senhora porque nas suas horas muito particulares fez do corpo o que muito bem entendeu e, ainda por cima, dentro da legalidade vigente, isso nunca me passaria pela cabeça.


Mas, não haja dúvidas, há cabeças por onde isso passa. Passa e fica, que dali nem se espera grande movimento. Mas como mandam em qualquer coisa, uma vez por outra lá têm de mostrar que estão vivos – conceito duvidoso, no caso, e carenciado de melhor análise – e lá mandam bojarda aos ventos.